Campanha “Tu és o tipo de alguém”
A campanha foi desenvolvida de jovens para jovens, numa parceria entre o IPO Porto e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), envolvendo estudantes e docentes da Licenciatura e Mestrado em Ciências da Comunicação.
No contexto da celebração do Dia Nacional do Dador de Sangue, a iniciativa teve o seu arranque no dia 27 de março e irá decorrer pelo menos durante um ano. Estão previstas ações e a criação de conteúdos digitais adaptados às redes sociais.
O conceito da campanha associa a dádiva de sangue ao “match” das aplicações de encontros, reforçando a ideia de que cada dador pode ser o tipo certo de alguém para salvar vidas.
Todos os materiais foram desenvolvidos em articulação e com a validação científica do Serviço de Imuno-Hemoterapia do IPO Porto, garantindo informação correta e segura para os jovens.
EXPLICADOR : TUDO SOBRE A DÁVIDA DE SANGUE
Etapas da dádiva de sangue
O processo de dádiva de sangue funciona de acordo com dois modelos: 1) sem marcação, para a dádiva de sangue total (o mais comum); 2) com marcação prévia, para a dádiva de plaquetas (o menos comum).
- Chegada e inscrição: o dador dirige-se à receção e preenche um questionário de saúde detalhado.
- Triagem clínica: na primeira dádiva, a avaliação é feita por punção venosa (no braço, como na colheita de análises laboratoriais habituais). Nas dádivas seguintes, a análise passa a ser realizada através de uma picada no dedo, para avaliação da hemoglobina. Salvaguardam-se as dádivas de plaquetas que requerem sempre a análise por punção venosa. Após as análises, realiza-se uma consulta com um médico para avaliar o historial clínico.
- Colheita: o dador passa para a sala de colheita. Este procedimento dura cerca de 10 minutos para a dádiva de sangue total, sendo colhidos aproximadamente 450 ml de sangue. A dádiva de plaquetas já requer marcação e demora cerca de 60 minutos. O processo de dádiva decorre numa cadeira cómoda e prática.
- Repouso e refeição: após a colheita, o dador permanece sob vigilância num período de repouso. O IPO oferece um pequeno lanche para o dador recuperar energias.
- Depois da dádiva: recomenda-se algum repouso e um reforço na ingestão de água. No dia a seguir à dádiva, o dador recebe uma mensagem de agradecimento com um link para inquérito de satisfação. Assim que o sangue é integrado no stock para utilização, o dador recebe uma segunda mensagem sobre as análises ao sangue. Todo este processo é inteiramente gratuito.
Percurso do sangue após a dádiva
Após a colheita, o sangue não é utilizado imediatamente. Segue um protocolo rigoroso de segurança e preparação:
- Repouso: o sangue passa por um período de repouso e, posteriormente, é enviado para o laboratório.
- Análises: antes de qualquer utilização, são realizadas análises laboratoriais exaustivas a cada unidade colhida, do modo a garantir a segurança do recetor e confirmar o grupo sanguíneo.
- Separação dos componentes: o sangue é separado em três componentes fundamentais: eritrócitos, plaquetas e plasma.
- Rotulagem e disponibilização: após a validação de todas as análises, o sangue é rotulado (A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ ou O-) e fica disponível para transfusões.
Tipos sanguíneos
Os tipos de sangue aplicam-se às transfusões de todos os componentes. A tabela seguinte mostra apenas as compatibilidades na transfusão de eritrócitos:

Mitos associados à dádiva de sangue
Quais são os pilares fundamentais para alguém ser considerado apto para dar sangue?
A dádiva de sangue está reservada a maiores de 18 anos ou a jovens de 17, desde que se apresente o consentimento dos pais/tutores legais. A primeira dádiva pode ocorrer até aos 60 anos. Os dadores regulares podem continuar até aos 70 anos.
O peso deve ser igual ou superior a 50 kg.
Se uma pessoa não souber qual é o seu grupo sanguíneo, pode dirigir-se ao serviço para doar?
Sim. O grupo sanguíneo é obrigatoriamente testado e confirmado pelo serviço após cada colheita.
Com que frequência se pode dar sangue?
Os homens podem doar de três em três meses. As mulheres podem doar de quatro em quatro meses, devido à perda fisiológica mensal (associada à menstruação).
Quem tem tatuagens ou piercings pode ser dador?
Ter tatuagens ou piercings exige apenas um período de suspensão de quatro meses após o procedimento, independentemente do local ou tamanho da tatuagem e desde que não existam sinais de infeção no piercing.
Existe algum impedimento relacionado com o comportamento sexual?
Sim. O início da atividade sexual ou qualquer mudança de parceiro implica uma suspensão de três meses, mesmo que a relação tenha sido protegida.
O consumo de vinho às refeições ou drogas impede a dádiva?
O consumo regular de vinho às refeições não impede a dádiva, desde que o dador não esteja embriagado ou de ressaca quando se apresenta na sala de colheita. Relativamente ao consumo de substâncias, o uso esporádico (até cinco vezes num ano) de canábis implica uma suspensão temporária de pelo menos uma semana. Quanto a drogas pesadas, requerem três meses e qualquer droga injetável constitui uma exclusão definitiva.
Posso doar durante a menstruação ou a tomar a pílula?
Sim. A pílula não tem influência e a menstruação só impede houver sintomas de debilidade física ou hemoglobina baixa.
Em caso de uma interrupção da gravidez ou parto, quanto tempo é necessário aguardar para voltar a doar?
Deve aguardar seis meses após o parto ou interrupção da gravidez, se a gestação passar das 12 semanas. No caso de a interrupção da gravidez, se for antes das 12 semanas de gestação, sem perdas de sangue significativas, pode doar.
E no caso da amamentação?
Se estiver a amamentar há mais de um ano, pode doar sangue. Se o período de amamentação for inferior a um ano, tem de suspender a dádiva por 90 dias, contanto com a habitual suspensão de 180 dias após o parto.
Quem tem colesterol alto, obesidade ou é vegetariano, pode doar sangue?
Sim. Nenhuma destas condições impede a dádiva, desde que os níveis de hemoglobina estejam normais.
Quem toma medicação para a ansiedade ou antidepressivos é excluído?
Não. Apenas se exige que a situação clínica esteja estável e que o dador não se encontre ansioso no momento da dádiva.
É necessário ter as vacinas em dia?
Este não é um critério de exclusão definitivo, porque depende do tipo de vacinas tomadas. Algumas vacinas podem implicar períodos de suspensão temporária. Por exemplo, a vacina da gripe exige três dias de espera, enquanto algumas vacinas específicas podem exigir um mês na suspensão de doação.
Tensões altas permitem a dádiva?
Tensões muito elevadas no momento impedem a dádiva por segurança, no entanto, esta situação é muito rara em faixas etárias mais jovens.
Diabéticos ou pessoas com doenças autoimunes podem doar?
Doentes com diabetes tipo 2 controlada por medicação oral podem doar, mas a diabetes tipo 1 dependente da insulina e doenças autoimunes, como o Lúpus, são contraindicações definitivas.
Quem já teve cancro pode voltar a dar sangue?
Doentes oncológicos não podem doar sangue (mesmo que já tenham realizado quimioterapia ou radioterapia), exceto em casos de cancros localizados, como o de pele (basocelular) ou do colo do útero (in situ), por serem tratamentos locais.
Quem já recebeu uma transfusão, pode ser dador?
Sim. Desde a atualização dos critérios de elegibilidade feita pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), quem recebeu transfusões já pode doar sangue, desde que tenha cumprido o período de suspensão de 3 meses.
É preciso ir em jejum para dar sangue?
Não. É recomendado fazer uma refeição leve antes de doar. E a hidratação é fundamental antes do processo, já que a água torna as veias mais salientes e visíveis.
O serviço de Imuno-Hemoterapia do IPO Porto
Como se organiza o serviço de Imuno-Hemoterapia?
O Serviço de Imuno-Hemoterapia do IPO está organizado em duas áreas fundamentais:
- Área do dador: inclui o banco de sangue, desde a triagem do dador, colheita, acompanhamento e vigilância, até à separação e testes das unidades colhidas.
- Área do doente: inclui o apoio transfusional, que assegura a compatibilidade do par dador/recetor e as necessidades clínicas até à vigilância pós transfusão. A consulta acompanha outras vertentes como anemias, alterações da coagulação, etc.
Qual é a prioridade do Serviço de Imuno-Hemoterapia do IPO-Porto?
A prioridade do serviço passa por garantir o suporte transfusional aos doentes oncológicos do IPO-Porto, cujos tratamentos, como quimioterapia, radioterapia e cirurgia, exigem um consumo elevado e específico de componentes sanguíneos. No entanto, o IPO está sempre em articulação com a rede nacional através do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST).
O sangue é separado antes do armazenamento?
Sim. Após a dádiva, o sangue permanece inicialmente em repouso e é depois encaminhado para o laboratório, onde é separado nos seus principais componentes:
- Eritrócitos (glóbulos vermelhos);
- Plaquetas;
Os componentes do sangue têm prazo de validade?
Sim. Todos os componentes sanguíneos têm prazo de validade.
- Eritrócitos- 42 dias
- Plaquetas- 5 dias
Obter uma unidade de paquetas e de eritrócitos é igual?
Não. Enquanto uma unidade de eritrócitos resulta de uma única dádiva, para obter uma unidade de plaquetas pelo método convencional são necessárias quatro a cinco dádivas.
Só existe uma metodologia de colheita?
Não. Para além da colheita convencional, sangue total, existe também a metodologia por aférese.
A aférese é um método em que o dador é ligado a uma máquina que separa automaticamente os diferentes componentes do sangue. Desta forma, é possível recolher apenas o componente pretendido e devolver os restantes ao organismo.
Esta metodologia tem como principal objetivo a colheita de plaquetas, embora, durante o processo, também possam ser colhidos outros componentes. Através da aférese, é possível obter, numa única dádiva, uma ou mais unidades terapêuticas de plaquetas. Pelo método convencional seria necessário reunir plaquetas de 4 a 5 dádivas diferentes para obter uma unidade terapêutica.
Outra vantagem é que, quando são colhidas apenas plaquetas o intervalo entre dádivas pode ser reduzido para 1 mês, ao contrário da dádiva de sangue total, cujo intervalo é de 3 a 4 meses. Este procedimento demora, em média, uma hora.
O sangue pode ser congelado?
De forma geral, não. O serviço segue uma gestão rigorosa dos prazos de validade para evitar desperdícios.
Como funciona a gestão de stock crítico?
Em situações de stock crítico ou reservas baixas, o primeiro plano de contingência do serviço passa contactar diretamente dadores de grupos específicos através de mensagens personalizadas. Se a necessidade for urgente, o IPO pode recorrer à rede nacional de stock gerida pelo IPST para solicitar as unidades em falta.
Mais informações em https://ipoporto.pt/eu-cidadao/dadiva-de-sangue/

