IPO Porto conquista duas Bolsas de Doutoramento do Programa Doutor-AP da FCT

O Programa Doutor-AP visa promover a formação avançada e a qualificação dos recursos humanos das entidades públicas, através da atribuição de tempo protegido para o desenvolvimento de projetos de investigação conducentes ao grau de doutor. Esta iniciativa representa um investimento estratégico na produção de conhecimento científico aplicado, com impacto direto na melhoria dos serviços públicos.

Projeto aposta na eficiência dos tratamentos oncológicos

Susana Alexandra Morais Alves Pinto foi distinguida com financiamento para o projeto de doutoramento “Otimização da preparação e utilização de tratamentos farmacológicos num hospital oncológico”. A investigação tem como objetivo otimizar os processos de preparação e utilização de terapêuticas oncológicas, reduzindo desperdícios e tempos de espera. Espera-se um impacto direto na experiência do doente, na equidade de acesso aos tratamentos e na manutenção dos mais elevados padrões de eficácia e segurança terapêutica, promovendo cuidados de saúde mais eficientes e humanizados.

Investigação reforça conhecimento sobre risco genético de cancro colorretal

Carla Alexandra Cavaco Pinto foi igualmente selecionada para financiamento com o projeto “Caracterização das variantes genéticas associadas a síndromes hereditárias de polipose colorretal na população portuguesa”. As síndromes hereditárias de polipose colorretal estão associadas a um risco significativamente aumentado de desenvolvimento de cancro colorretal. Apesar dos avanços científicos, subsistem desafios na identificação de variantes genéticas responsáveis e na compreensão da sua relação com os diferentes fenótipos clínicos.

O projeto irá aprofundar o conhecimento sobre estas síndromes na população portuguesa, através da identificação de novas variantes patogénicas, da avaliação da sua prevalência e do estabelecimento de correlações genótipo-fenótipo. Estão ainda previstas a análise do risco oncológico em portadores heterozigóticos, a investigação de possíveis efeitos fundadores e a identificação de novos genes candidatos em famílias sem variantes previamente conhecidas.

Os resultados poderão traduzir-se numa melhoria significativa do aconselhamento genético, na otimização das estratégias de vigilância e profilaxia do cancro colorretal e num avanço relevante do conhecimento científico nesta área.

Com a aprovação destas duas Bolsas de Doutoramento, o IPO Porto reforça o seu posicionamento como instituição de referência na investigação oncológica em Portugal, consolidando a integração entre prática clínica e investigação científica e contribuindo para cuidados de saúde cada vez mais diferenciados, inovadores e centrados no doente.

IPO obtém certificação da European Association of Nuclear Medicine Level 2

A certificação EARL Theranostics distingue centros que cumprem padrões rigorosos de qualidade e harmonização na área da teranóstica, uma abordagem que integra diagnóstico molecular e terapêutica personalizada em oncologia.

O programa contempla dois níveis de certificação. O Level 1 reconhece o compromisso com requisitos fundamentais de garantia de qualidade e estandardização. O Level 2, de caráter avançado, distingue centros com experiência consolidada e prática clínica estruturada na área teranóstica e exige validação técnica adicional.

A obtenção do Nível 2 confirma o IPO Porto como centro com competência teranóstica avançada, reforça a credibilidade internacional da Instituição e aumenta a confiança de doentes, centros referenciadores, entidades reguladoras e outros parceiros. Este reconhecimento reforça também a capacidade de participação em estudos clínicos multicêntricos internacionais.

Este marco consolida o posicionamento do IPO Porto como Centro de Referência Teranóstico e evidencia o compromisso contínuo com a excelência e a inovação nos cuidados prestados ao doente oncológico.

 

IPO do Porto distinguido em evento nacional do Projeto STOP Infeção Hospitalar 2.0

A apresentação dos resultados foi feita por Ana Lebre, líder nacional do projeto e Diretora do Serviço de Doenças Infeciosas/UL-PPCIRA do IPO do Porto, recentemente nomeada Diretora do PPCIRA a nível nacional. Em três anos, o STOP – Infeção Hospitalar 2.0 alcançou reduções muito significativas nas principais infeções associadas aos cuidados de saúde, atingindo até 68,9% na cirurgia ortopédica, cerca de 50% na Medicina e Medicina Intensiva e 28,4% na cirurgia colorretal, com 95% das equipas a melhorar os seus indicadores. Estima-se que tenham sido evitados 1.628 casos de infeção, 189 mortes, mais de 27 mil dias de internamento e cerca de 17 milhões de euros em custos de saúde.

O Conselho de Administração do IPO do Porto e toda a equipa do PPCIRA estiveram presentes neste momento solene, durante o qual receberam uma distinção institucional. A sessão contou com a presença da Diretora-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, de um representante da Fundação Calouste Gulbenkian e de Pedro Delgado, Vice-Presidente do IHI. A participação do IPO do Porto neste evento sublinha o seu compromisso contínuo com a excelência clínica, a segurança do doente e a redução do risco de infeção, através da adoção de práticas baseadas na evidência científica e da integração em projetos estruturados de melhoria contínua, em linha com o Plano Nacional de Qualidade e Segurança do Doente 2021-2026.

O Projeto STOP – Infeção Hospitalar 2.0, promovido pela Direção-Geral da Saúde, através do Programa Prioritário de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistências aos Antimicrobianos (PPCIRA), em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e o Institute for Healthcare Improvement, representa a consolidação e expansão de um modelo colaborativo de melhoria contínua da qualidade, assente na melhor evidência científica e na implementação estruturada de bundles de prevenção da infeção.

Exposição assinala Dia Internacional da Criança com Cancro

A sessão inaugural integrou um desfile protagonizado por crianças do Serviço de Pediatria, que apresentaram chapéus criados por designers e chapeleiros nacionais. A cerimónia contou com a presença do Vereador da Cultura da Câmara Municipal de S. João da Madeira, do Presidente do Conselho de Administração do IPO Porto, bem como da equipa educativa e de outros profissionais do Serviço de Pediatria.

Para além das criações de autores convidados, a exposição integra igualmente chapéus concebidos por profissionais do IPO Porto, num testemunho de envolvimento, criatividade e trabalho colaborativo.

Esta iniciativa representa também uma forma de aproximação entre os universos da Saúde e da Cultura, evidenciando o papel da expressão artística como fator de humanização do cuidado em contexto oncológico pediátrico.

A exposição estará patente ao público até 12 de abril.

 

IPO Porto reforça atividade assistencial e liderança tecnológica em 2025

 “A atividade assistencial em 2025 manteve uma trajetória de crescimento face ao ano anterior, num contexto particularmente exigente, o que demonstra a capacidade do IPO Porto para responder a um número crescente de doentes, elevando os padrões de qualidade”, afirma o Presidente do Conselho de Administração, Júlio Oliveira.

 Ao longo do ano, o IPO Porto acolheu 11.271 novos doentes, registando 9,8% de aumento face a 2024. A atividade clínica superou o ano anterior, com a realização de 365.998 consultas médicas, incluindo 110.004 primeiras consultas, traduzindo um reforço da resposta assistencial e do acesso dos doentes a cuidados especializados. Ao nível dos tratamentos, verificou-se um crescimento em áreas de maior complexidade, com 46.462 sessões de quimioterapia, 71.227 sessões de radioterapia e 2.467 sessões de imunohemoterapia, consolidando a tendência de aumento da atividade observada nos últimos anos.

A área cirúrgica registou também uma evolução positiva face a 2024, com a realização de 12.492 intervenções cirúrgicas (aumento de 4,9%), destacando-se a realização de 162 cirurgias robóticas, no primeiro ano de implementação desta tecnologia no IPO Porto. “O arranque do Programa de Cirurgia Robótica representa um salto qualitativo na nossa capacidade cirúrgica e é reflexo da diferenciação tecnológica da instituição”, sublinha Júlio Oliveira, afirmando que o segundo robot cirúrgico será instalado brevemente.

O IPO Porto realizou ainda 144 transplantes, dos quais 25 em crianças. Realizaram-se 49 tratamentos com células CAR-T, reforçando a sua posição na vanguarda das terapias médicas avançadas. Na área do rastreio, destaca-se o do Cancro do Colo do Útero que abrangeu 146.584 mulheres, confirmando o papel estruturante da instituição na organização dos cuidados de saúde a nível regional.

Este desempenho assistencial decorre em paralelo com um ciclo de investimento sem precedentes, fortemente impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que está a permitir a modernização de infraestruturas e a introdução de novas tecnologias. “Estamos a concretizar um conjunto de projetos estruturantes, com elevada complexidade técnica e exigência operacional, que irão marcar decisivamente o futuro do IPO Porto”, refere o presidente.

Com uma dotação global de cerca de 45 milhões de euros, o IPO Porto afirma-se como uma das instituições de saúde que mais financiamento captou no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), destinado à renovação de equipamentos médicos pesados, à qualificação das instalações hospitalares e à modernização dos equipamentos médicos e científicos.

A este esforço de investimento soma-se a histórica doação da Fundação Amancio Ortega, que viabilizou o lançamento do concurso público para a construção do Centro Nacional de Protonterapia, um projeto de elevada relevância estratégica para o desenvolvimento da oncologia em Portugal.

No plano internacional, destaca-se ainda o papel ativo do IPO Porto através da participação em várias Joint Actions europeias na área da Oncologia, reforçando a sua integração em redes de cooperação e inovação à escala internacional. O envolvimento efetivo dos doentes nos processos de auscultação e decisão materializou-se com a criação do CCUte IPOP – Conselho Consultivo dos Utentes do Instituto Português de Oncologia do Porto, uma iniciativa pioneira em Portugal, que promove a participação ativa dos utentes na definição e evolução dos cuidados de saúde.

“A melhoria das condições assistenciais e organizacionais do IPO Porto terá continuidade em 2026, com impacto direto na qualidade dos cuidados prestados, na investigação e no ensino”, afirma Júlio Oliveira, sublinhando que este percurso reforça a capacidade da Instituição para responder, de forma sustentada, às necessidades atuais e futuras da oncologia.