Lúcio Lara Santos eleito representante de Portugal na IARC/OMS

A cerimónia formal de adesão de Portugal à IARC, incluindo o hastear da bandeira nacional, ocorreu a 7 de maio de 2025, na sede da agência em Lyon, França. A integração de Portugal na IARC, e a nomeação do Lúcio Lara Santos, representam um reforço da posição do país no contexto internacional na investigação e luta contra o cancro. Esta dupla conquista permite ao país integrar redes de investigação científica de excelência, aceder prioritariamente a ensaios clínicos internacionais e beneficiar de apoio técnico e científico especializado da principal agência mundial de investigação oncológica.

Lúcio Lara Santos é uma figura proeminente na oncologia nacional. É diretor do Departamento de Cirurgia do IPO Porto, Coordenador da Unidade de Cuidados Intermédios de Cirurgia e coordenador do Grupo de Patologia e Terapêutica Experimental do Centro de Investigação do IPO Porto.  É doutorado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e professor de Oncologia Cirúrgica na Universidade Fernando Pessoa e no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto.

A sua investigação foca-se na compreensão dos mecanismos do cancro e na identificação de biomarcadores para oncologia de precisão. Integra a direção da Secção de Oncologia Cirúrgica da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) e de outros grupos de investigação como o Grupo Português de Investigação do Cancro Digestivo (GICD) e o Grupo de Oncologistas dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa,  bem como a African Organisation for Research and Training in Cancer (AORTIC), salientando-se o seu papel na colaboração internacional em oncologia nomeadamente com os PALOP.

A nomeação é vista pelo IPO Porto como um motivo de grande orgulho e um reconhecimento internacional do estatuto da instituição como centro de referência no tratamento e investigação oncológica. Reforça a distinção do IPO do Porto, reflete a competência técnica da sua equipa e o uso de tecnologia de ponta, servindo como um forte incentivo ao trabalho de investigação desenvolvido.

Sobre a Agência Internacional para a Investigação do Cancro: Fundada em 1965, a IARC é a agência intergovernamental da OMS dedicada à promoção da colaboração internacional na investigação das causas do cancro. É mundialmente reconhecida pelo seu programa de estudos, que avalia e classifica cientificamente os agentes (químicos, físicos, biológicos, comportamentais) quanto ao seu potencial cancerígeno para humanos.

IPO Porto cria associação para impulsionar a investigação clínica

Para a assinatura da escritura pública, estiveram presentes no ato todos os membros fundadores: Júlio Oliveira, presidente do IPO Porto, Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto; António Sousa Pereira, reitor da Universidade do Porto, Paula Pinho, representante da Fundação Ilídio Pinho; Rui Pedroto, o presidente da Fundação Manuel António da Mota; Filipe Osório de Castro, fundador da Fundação Rui Osório de Castro; Maria Cândida Rocha, presidente do Conselho de Administração do Banco Carregosa.

A sessão pública, realizada ontem, Dia Internacional dos Ensaios Clínicos, contou com a presença de Ana Povo, Secretária de Estado da Saúde, em representação do Ministério da Saúde, entre outros representantes de entidades institucionais da área da saúde.

No seu discurso, Júlio Oliveira, afirma que “hoje é dia de celebrar” porque ao “ao desenvolver a investigação clínica em oncologia estamos a transformar a vida das pessoas”. O presidente do IPO Porto reforça que “através da descoberta e desenvolvimento de novos tratamentos podem ter mais esperança em sobreviver ou prolongar a sua existência e qualidade de vida”.

O Instituto Português de Oncologia do Porto  é o primeiro hospital do SNS a criar uma associação de direito privado sem fins lucrativos para gerir a investigação clínica. A PICO, que prevê um modelo organizacional que irá permitir uma gestão autónoma e mais ágil dos recursos, tem por missão posicionar o Norte de Portugal como polo europeu na investigação, no desenvolvimento de medicamentos e de dispositivos médicos para o tratamento do cancro.

Serviço de Psicologia relembra papel da família na doença oncológica

Garantir cuidados integrais e de qualidade implica uma sobrecarga significativa de ordem física, emocional, social e financeira para os cuidadores informais. Em Pediatria Oncológica e nos Cuidados Paliativos a unidade de intervenção é o doente e a sua família, por isso o Serviço de Psicologia do IPO Porto disponibiliza acompanhamento psicológico simultâneo para os doentes e suas famílias em ambos os serviços.

“No Serviço de Pediatria, a intervenção psicológica dirigida às famílias tem como principal objetivo facilitar a adaptação ao processo de doença em todas as suas etapas (incluindo o período de luto)”, explica Susana Moutinho, psicóloga no Serviço de Pediatria, reforçando que é crucial prevenir a psicopatologia e disfuncionalidade na estrutura familiar.

Já no Serviço de Cuidados Paliativos, o apoio à família é realizado pela Equipa de Apoio Psicossocial (EAPS), que tem vindo a desenvolver o seu trabalho junto dos doentes com doença avançada e seus familiares, disponibilizando apoio psicológico, social e espiritual.

“O acompanhamento à família tem o objetivo de promover o ajustamento à condição de doença avançada do seu familiar”, explica Patrícia Oliveira, psicóloga da EAPS. A especialista frisa que é importante trabalhar a construção de novos significados nesta fase de vida através do incentivo à comunicação.

No Espaço Fundação la Caixa realizam-se atividades lúdico-terapêuticas, como grupos psicoeducativos, sessões de relaxamento e gestão do stress, terapia assistida por animais, sessões de Reiki e sessões de autocuidado.

Consciente do papel central dos cuidadores informais e dos custos e benefícios associados ao cuidado de um ente querido, o Serviço de Psicologia do IPO Porto privilegia na sua prática a promoção da saúde mental, da resiliência, e do bem-estar junto destes familiares.

Cirurgia Cardiotorácica avança com técnica de estadiamento mediastinal

Até ao momento, a equipa de Cirurgia Cardiotorácica já realizou 26 procedimentos por VAMLA (Vídeo Assisted Mediastinoscopy Lymphadenectomy) e 4 videomediastinoscopias, sendo este procedimento indicado para estadiamento do mediastino, garantindo um melhor estadiamento da doença neoplásica pulmonar e como tal um tratamento mais adequado.

A VAMLA é um procedimento cirúrgico torácico minimamente invasivo para realizar a remoção dos gânglios linfáticos do mediastino (área entre os pulmões). Essa técnica representa um avanço em relação à mediastinoscopia tradicional, oferecendo maior precisão e menor invasividade, o que se traduz num período de recuperação mais rápido e com maior qualidade para o doente. O uso do equipamento favorece ainda a obtenção de material biológico em maior quantidade e com melhor qualidade.

Para o diretor do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do IPO Porto, Gonçalo Paupério, a introdução desta técnica revelou-se importante porque “permite a realização de uma medicina de precisão, com um esvaziamento ganglionar mediastínico, aumentando a probabilidade de encontrar doença metastática que antes não seria detetada, implicando alteração da forma como tratamos o doente.”

O cirurgião reforça que “em cerca de 1/5 dos doentes é detetada metastização ganglionar o que implica iniciar o tratamento por terapêutica sistémica prévia à cirurgia ou mesmo contraindicar a cirurgia, evitando-se ressecções pulmonares que não trariam benefício para o tratamento do doente.”

 

Abertura de mais uma sala cirúrgica na UCA II

A 24 de abril, a sala foi aberta com a realização de duas cirurgias, sendo que a segunda foi uma mastectomia total com reconstrução mamária endoscópica. Este procedimento cirúrgico foi introduzido recentemente no Instituto e permite incisões menores, menos visíveis e com uma recuperação mais rápida para o(a) doente do que na mastectomia convencional.

A construção deste novo espaço cirúrgico resulta do investimento institucional numa estratégia de ampliação da Unidade de Cirurgia Ambulatória (UCA II) e requalificação estrutural desta unidade com o objetivo de aumentar a produção, reduzir a lista de espera, internalizar atividade e racionalizar recursos.

Recorda-se que, em setembro de 2024, foi inaugurada a primeira fase da ampliação da Unidade de Cirurgia Ambulatória (UCA II) com a requalificação de uma segunda sala de bloco operatório para radioterapia intraoperatória (única no país). A Unidade de Cirurgia de Ambulatório (UCA) está fisicamente subdividida em duas áreas: UCA I e UCA II.

NA UCA II, com a requalificação efetuada em 2024, foi possível aumentar a capacidade de resposta para tratamentos cirúrgicos aos doentes oncológicos, com 461 cirurgias realizadas na nova sala em cerca de 6 meses, um aumento de 47% da atividade cirúrgica nesta unidade.

De acordo com os dados publicados pela DGS, o IPO do Porto foi a instituição em Portugal que efetuou o maior número de cirurgias oncológicas. Em 2021, representou cerca de 12% do total de cirurgias oncológicas no país. Quando a análise é feita por neoplasia, o IPO Porto é o hospital com mais cirurgias, em seis das 12 áreas de patologia oncológica: colón, reto, estômago, mama, próstata e corpo uterino. O volume cirúrgico desta instituição demonstra a sua relevância no diagnóstico, estadiamento, tratamento e seguimento da doença oncológica.